POR ONDE COMEÇARAM OS BAILES CARNAVALESCOS

POR ONDE COMEÇARAM OS BAILES CARNAVALESCOS

Os bailes carnavalescos no Rio de Janeiro começaram em 1840, quando uma senhora italiana casada com um hoteleiro estabelecido no Largo do Rocio , promoveu o primeiro baile de máscaras, anunciado no "Jornal" nos seguintes termos:

"Hoje, 22 de janeiro, no Hotel de Itália, haverá baile mascarado com excelente orquestra, havendo dois cornets à piton."

 

O sucesso foi grande e o baile de máscaras se repetiu em 20 de fevereiro, já durante o carnaval, sendo anunciado um "baile de máscara como se usa na Europa".

Em 1844 passaram a ser servidos ceia, vinho e refrescos depois do baile - cujo preço passou de 2 mil para 4 mil réis. Como ainda é comum nos tempos atuais, nada era cobrado das mulheres.

A polca, também chamada "polaca", era a dança da moda, dançada nos bailes de carnaval daquela época, em uma espécie de revolução contra a mazurca e a gavota, consideradas das elites. Em 1846 foi criada a sociedade "Constante Polca", que se encarregou de promover os bailes. Aparentemente, o criador da sociedade foi o próprio dono do Hotel de Itália, pois os bailes continuaram a ocorrer ali.

Também em 1846 houve outro baile de máscaras, em 21 de fevereiro, no Teatro São Januário, promovido por Clara Delmastro, que viera para o Rio como cantora de uma companhia teatral e havia assistido a grandes festas carnavalescas na Europa. Esse baile, que contou com mais de 1000 casais fantasiados, durou até as 03:00 h do dia seguinte e só foi interrompido porque o inspetor do teatro, preocupado com a saúde dos dançarinos, encerrou a festa e disse a todos que fossem descansar.

Com o sucesso, outros bailes passaram a ser promovidos. Visando ao lucro certo, a diretoria do Teatro São Pedro transformou sua platéia em um enorme salão, promovendo 3 bailes em 1846 e 6 deles em 1847. Em 1847, ocorreram 15 bailes carnavalescos em teatros no período de uma semana. O Imperial Teatro D. Pedro II foi inaugurado em 17 de fevereiro de 1871 com um luxuoso baile de máscaras.

Naquela época, as famílias não participavam ativamente dos bailes, mas a curiosidade fazia com que os assistissem de longe, dos camarotes. Não era considerado elegante se misturar ao resto do povo nas comemorações de carnaval.

O baile de 1879 do Imperial Teatro D. Pedro II foi ricamente decorado com estátuas, espelhos, esferas luminosas, milhares de bicos de gás, bandeiras etc. e foi anunciado em meia página nos jornais. Uma orquestra de 40 músicos (imensa, naquela época) regida pelo maestro A. Cravestein iniciou o baile com a ouverture de uma ópera.

Bailes públicos se difundiram e, como havia muitas pessoas que gostavam de patinar, o "Skating-Ring" da Rua do Costa promoveu patinação com orquestra de baile, patinação fantasiada e baile de máscaras sobre patins.

Na competição acirrada pelo público, as mais variadas atrações eram introduzidas nos bailes, que se tornavam cada vez mais originais. Em 1888, o Teatro Santana anunciava, para seus bailes, valsas espanholas e um corpo de coros.

Atualmente, a maioria dos clubes promove seus bailes de carnaval. Por muitos anos, dois clubes promoveram bailes muito disputados: o Clube Sírio e Libanês e o Clube Monte Líbano (com o baile "Uma Noite em Bagdá").

 

                                                                             fonte:armazemdesonhos


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